domingo, 17 de setembro de 2017

Ricardo Cappelli : Janot reescreveu a novela “Vale Tudo”, com Joesley no papel de Reginaldo Farias, que no “grand finale” dá uma banana ao país.

SOBRE BAMBUS E FLECHAS: A DESPEDIDA DE JANOT

“O MP tornou-se na prática um quarto poder. Não se subordina ao Legislativo, nem ao Executivo nem ao Judiciário. Passou a dispor de discricionariedade incomum a atores não eleitos. Transformou-se em organização incomum na democracia.” Maílson da Nóbrega.

Por Ricardo Cappelli - Via Facebook - 17/09/2017
Charge Renato Aroeira
Consagrou o conceito de ética da convicção no combate à corrupção. Desconsiderou a ética da responsabilidade. Fez da corporação sua principal referência e bússola. Abriu mão da imparcialidade e da prudência para vestir a capa de enxadrista político. Manobrou informações no tempo a serviço de sua estratégia. Ao avançar sobre Cunha somente após este ter feito o trabalho sujo, deixou suas digitais no golpe contra uma presidenta impopular, mas honesta.

Seu pronunciamento em 2013, falando sobre o desafio de assumir a PGR, causou impressão positiva. Rodrigo Janot criticava o histrionismo e pregava o equilíbrio. O PGR que se despede hoje carregará para sempre a mácula de ter comandado uma caçada “santa” ao presidente mais popular de nossa história. Sob sua direção e silêncio o MPF gravou e divulgou vídeos nas redes sociais, virou um partido político, e escreveu um capítulo triste, um PowerPoint vergonhoso que causou rubores até na extrema direita.

No “episódio Odebrecht” optou pelo caminho fácil do aplauso e da infâmia. Manchou reputações misturando corrupção com caixa dois e até “ouvi dizer”. Jogou a política aos Leões. Generalizou a crítica aos políticos e às coalizões, necessárias para governabilidade em qualquer democracia no mundo. Deu a “carne fresca” que faltava para a consolidação do fascismo brasileiro. Foi cúmplice do fim da presunção da inocência, do abandono do estado democrático de direito, das garantias individuais e da “condenação pelas convicções”.

Ignorou o desemprego da patuléia ao defender aumentar seu próprio salário para quase 40 mil reais. Fechou os olhos aos supersalários que zombam do teto constitucional. Distribuiu “auxílio moradia” para seus pares. Foi generoso com os colegas, do presente e do passado. O ex-procurador geral, Antônio Fernando, implacável no seu “domínio do fato” contra Zé Dirceu, se aposentou e virou advogado de defesa do probo Cunha. Os políticos que este “estamento superior” carimbam como bandidos jamais resistiriam a tamanha contradição, a efêmera transmutação das convicções pelos honorários.

Fez a alegria do “Tio Sam” ao auxiliar no desmonte da Petrobras e fornecer informações para que os acionistas norte-americanos tentem liquidar nosso maior orgulho. Ajudou a destruir a engenharia nacional, referência internacional presente em mais de 70 países. Inaugurou a rentável “indústria da delação” e as “colônias de férias” onde corruptos milionários e confessos passam férias forçadas jogando animadas partidas de tênis. Reescreveu a novela “Vale Tudo”, escalando Joesley Batista para o papel do corrupto original, Reginaldo Farias, que no “grand finale” escapa ileso, entra em seu helicóptero e dá uma banana ao país. Após não ter como sustentar o insustentável ao ver seu braço direito ser desnudado em praça pública, foi arrastado para um boteco de Brasília, onde manchou sua reputação.
Joesley imitando o gesto do personagem Marco Aurélio, vivido pelo ator Reginaldo Faria na novela Vale Tudo . Arte O Estado de Minas
Até as morsas do ártico sabem de onde vieram as “exclusivas” que a Globo, “paladina da democracia”, cansou de repetir. Vai embora devendo explicações sobre sua relação com a família Marinho.

Desfilou inebriado pela fama nos palcos da elite brasileira. “Enquanto houver bambu, lá vai flecha!” Entre a retidão e o equilíbrio, o compromisso com um projeto de país, a necessária separação do joio do trigo, o firme combate à corrupção sempre na defesa dos interesses nacionais, escolheu o ego e a capa dos jornais. Acabou linha auxiliar de interesses imperialistas. Já nos estertores de seu mandato resolveu atacar a Venezuela e Maduro, deixando claro suas opções.
Sempre que se sentiu ameaçado utilizou do mesmo expediente: tiro diversionista na esquerda. Surfou na ilusão conciliatória da social democracia enquanto perdurou a visão inocente de um “republicanismo asséptico”. Quando resolveu tirar o velho e experiente Centrão para dançar caiu no meio do salão e passou vergonha.

Chegou o dia 17 de setembro de 2017. Não há dúvida que avançamos no combate à corrupção, velha chaga de nossa herança oligárquica patrimonialista. Mas esta tarefa imprescindível foi conduzida de forma correta? O Brasil hoje está melhor ou pior que há quatro anos atrás? A vida do povo melhorou? A corrupção foi erradicada? Quem está no Poder? Os fatos são objetivos. Auxiliou na deposição de uma presidenta honesta, ajudou a destruir setores estratégicos da economia nacional, caçou Lula como um troféu, fortaleceu o fascismo brasileiro, salvou empresários e delatores confessadamente corruptos e ainda levou e consolidou o Velho Centrão no poder. Prendeu alguns corruptos, é preciso reconhecer. Recuperou algum dinheiro, não se pode negar. A resultante final serve aos interesses nacionais? Nossa democracia sai mais forte? O Ministério Público sai mais forte? Como bem escreveu Maílson, o MPF “transformou-se em organização incomum na democracia”. A reação será iminente, é apenas questão de tempo.

O “neofacista de coturno” e outros expoentes “de suéter” da reação não são o problema. Estes, enfrentamos à luz do dia e derrotamos nas ruas e no voto, dentro do jogo democrático. O perigo são os que atuam nas sombras e querem substituir a democracia por uma suposta meritocracia, uma “pseudorepública autoritária de iluminados superiores”, relegando ao povo “incapaz” o papel de simples coadjuvante. Por que a sanha para tirar Lula das eleições? Infiltrados nas diversas esferas do aparato estatal, talvez sejam a maior e verdadeira ameaça ao futuro da nação.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Coxinha é o pobre de direita que pensa fazer parte da classe dominante.

Finalmente alguém explicou o surgimento do termo ‘coxinha’. 

Por Margarete Schmidt - Revista Forum - 12 de setembro de 2017

Charge: Gervásio
Está desfeito o mistério. Margarete Schmidt explica em detalhes, com um texto divertido e saboroso, além de plausível, o surgimento do termo que tomou o país de ponta a ponta.

Qual o significado de coxinha?

O nome/ termo “Coxinha” veio de uma gíria já existente há décadas na cidade de São Paulo e que antes designava apenas um xingamento direcionado aos policiais. “Encarregados de fazer a ronda, eles se alimentavam de coxinha em bares e lanchonetes – e, em troca, garantiam a segurança local.” Prestavam, em meio ao seu turno de serviço público, um bico de segurança momentânea a certos comerciantes que lhes ofereciam como pagamento apenas migalhas (coxinha e café coado).

Esses policiais costumavam e ainda costumam espantar das portas das padarias e seus similares os pivetes e os jovens moradores das comunidade locais. Eles costumavam e costumam espantar/afastar jovens que muitas vezes cresceram juntamente com seus irmãos e que por vezes frequentaram ou frequentam as mesmas escolas que eles frequentaram. Ou seja, são todos conhecidos, têm o mesmo berço econômico e social.

Tais jovens, ao serem “afastados/espantados” para longe dos estabelecimentos comerciais guardados por tais policiais ficavam furiosos e gritavam para eles: “seu coxinha, vc sabe que eu não sou bandido. Vc me conhece. Vc está defendendo esse cara em troca de uma mísera coxinha. Coxinha, coxinha!” Ou seja, o coxinha, naquele contexto, era um Xingamento dirigido a um policial que se escondia de sua própria condição (pobre, favelado e sem estirpe, mas que enganado por seu uniforme, pensava ser igual ou próximo ao rico comerciante e o avesso dos jovens pobres que ele espantava do local).

A expressão coxinha passou então a ser sinônimo daquele que defende um status quo ao qual ele não pertence. Ele defende os ricos, pensa ser rico, mas na verdade é um objeto a serviço dos ricos. Um instrumento para subjugar os seus iguais. O coxinha nunca terá o poder de um Aécio, dos Marinho ou de qualquer outro milionário ou mero empresário, mas ao defendê-los, o coxinha julga ser igual a eles.

Esses milionários não reconhecem o coxinha como seu par em igualdade, mas sim como um instrumento barato que defende e garante que ele (milionário) sempre tenha mais e mais.

O coxinha (na acepção primeira) é o policial que faz segurança diante das padarias: defende o rico comerciante, acha q é amigo do dono da padaria, mas no fundo é apenas um instrumento barato. Esse policial vira as costas para os seus iguais, impede-os de esmolar por ali, usa da força para tira-los do campo do rico comerciante. Mas, caso uma desventura aconteça e esse policial venha a perder o seu emprego, esse rico comerciante não lhe garantirá direitos, nem comida e nem apoio. De modo oposto, os seus iguais, a sua comunidade, certamente lhe oferecerão o apoio necessário e até farão alguma rifa para ajudar sua família a não passar fome.

É isso: o coxinha é aquele que luta por alguém que nunca, jamais irá garantir-lhe os direitos que ele precisa. O coxinha é o enganado. O termo se generalizou e passou a descrever o cara que pensa que um governante rico e poderoso irá construir melhorias para os trabalhadores, quando na verdade esses trabalhadores receberão desse tipo de governante apenas migalhas.

O coxinha pensa que é classe dominante. Ele se uniformiza à classe dominante: usa camisa polo de marca, já foi aos states, comprou casa e SUV financiados, critica as cotas e os nordestinos, fala mal do SUS e da ignorância da faxineira. O coxinha é o policial uniformizado na porta da padaria que pensa ser diferente dos jovens da comunidade. O coxinha é o cara que põe gel no cabelo e sai por aí esnobando o seu brega Rolex e pensa ser igual ao CEO da multinacional. Ambos, policial e classe pobre emergente, enganados, ambos coitados, ambos à mercê da fuga de suas origens.

Essa é a história da gênese da expressão coxinha e que eu desencravei há alguns anos em uma das tantas pesquisas que fiz por São Paulo.

Coxinhas são aqueles que viverão ao sabor das migalhas frias acompanhadas de café coado. A eles restará sempre e tão somente a azia e a má digestão, pois quem se iguala ao diferente recebe o que esse diferente acha que ele merece: coxinhas frias e nunca uma CLT.”

Margarete Schmidt

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

"Dória foi o protagonista de um outro filme, o "Ovo NA serpente"... E trata-se de uma serpente pequenina, assustada, raivosa e... infértil... Uma comédia..."

O OVO NA SERPENTE

Por Carlos D'Incao - Via Facebook - 09/08/2017
Charge: Duke - Dom Total
O prefeito do Twitter de São Paulo, João Dória foi atingido em cheio por um ovo. Um arremesso digno de mestre... Afinal acertar um personagem tão pequenino não é coisa para iniciantes...

Muitos dizem que essa violência é inaceitável assim como é inaceitável que a PM tucana ataque estudantes, trabalhadores e moradores de rua... Essa retórica me faz lembrar a cobertura da mídia internacional sobre a luta entre palestinos e israelenses.

Os palestinos atacam com pedras e latinhas os soldados israelenses que tomam suas terras. Os soldados contra-atacam os civis com blindado e armas de fogo. E ironicamente os "jornalistas" escrevem ponderações que querem condenar a agressão "de ambos os lados".

Convenhamos... Uma ovada dói muito menos do que os jatos de água e as balas de borracha que o prefeito usou contra as famílias e os moradores da região da Luz, a chamada "Cracolândia"...

Mas sobretudo, não podemos nos esquecer que Dória é o símbolo e a materialização de tudo o que há de errado na política brasileira. Possivelmente será tão desprezível quanto o ex-prefeito Celso Pitta (alguém lembra?).

Pensa que consegue criar uma retórica anti-Lula com palavras de ordem vazias enquanto a cidade de São Paulo se deteriora das periferias aos bairros nobres, como observou o próprio FHC...

E a sua fraseologia anti-comunista soa piada a quem é minimamente esclarecido (afinal, onde estão as "brigadas vermelhas" e os sovietes pelo Brasil?). Ver comunismo no PT é algo que apenas mobiliza hoje os "haters" lunáticos do Facebook e a juventude-geléia do MBL.

Mas o mais preocupante é o fato de que Dória realmente possa acreditar (de verdade) que "forças bolivarianas" estão de prontidão para tomar o Brasil através de Lula com o apoio dos médicos cubanos - certamente "guerrilheiros disfarçados"...

Tudo é possível para a imaginação de um anãozinho mimado com um penteado "Bala Juquinha" e que certamente aprendeu a empinar pipa em frente do ventilador do seu quarto, na confortável mansão dos seus pais...

Dória quer crescer e se tornar o ícone da direita brasileira. Mas ele se esquece que as pessoas sempre preferem o original do que a cópia. Para esse cargo já temos Bolsonaro... Ele sim é o "Ovo da serpente". O fascismo legítimo da direita burra.

Ontem, Dória foi o protagonista de um outro filme, o "Ovo NA serpente"... E trata-se de uma serpente pequenina, assustada, raivosa e... infértil... Uma comédia...

Afinal, um prefeito que se orgulha de ter vencido uma eleição em que o verdadeiro vencedor foram os votos nulos e as abstenções, é um prefeito que não tem noção de seu tamanho...

sábado, 5 de agosto de 2017

Chega de argumentos furados. A culpa pelo desgoverno Temer é da direita, que o colocou lá

Eu estou cansando com esta coisa de PMDB. É preciso seriedade ao falar.

Por Fernando Horta - via Facebook - 04/08/2017


Por que fazer aliança com o PMDB?
Porque é o maior partido no congresso (sempre foi), nas prefeituras e nos estados. E tinha uma posição mais progressista que o PP ou o PSDB.


Por que foi escolhido para vice Michel Temer?
Temer foi indicado pelo próprio PMDB. Não houve "escolha". Uma vez a aliança definida, o PMDB indica o nome.


Temer governava junto com Dilma?
Temer nunca foi consultado para nada. Dilma intuia o seu caráter e falta de honestidade. No final da crise, quando Temer levantou o PMDB todo, Dilma tentou negociar, já com a faca no pescoço.



Quem colocou e manteve Temer na presidência?
A direita colocou e depois manteve temer na presidência. E nunca teve preocupação com os escândalos de corrupção nem de Temer nem de sua entourage.



Então assim, chega de argumentos furados sobre de quem é a culpa do desgoverno Temer. O plano era claramente colocar um boi (PMDB) amarrado para puxar o arado. Quem soltou o boi agora não reclame que ele está destruindo tudo

segunda-feira, 17 de julho de 2017

O barulho e o silêncio das panelas revelam a hipocrisia que embalou e embala discursos sobre corrupção no Brasil.

Bob Fernandes: "Fingir" e fingimentos: indignação com corrupção, Saúde, festa em "Palácio"...

Por Bob Fernandes - Via Facebook - 17/07/2017 
Charge Mas Que Mário?
Ricardo Barros, Ministro da Saúde, a Saúde pública, conclamou: "Vamos parar de fingir que pagamos o médico e o médico tem que parar de fingir que trabalha".

Isso no país em que a chegada de médicos cubanos provocou escândalo e gritaria. De médicos, associações, e manifestantes.

Passados três anos os médicos cubanos continuam no Brasil. E... fez-se o silêncio de associações, médicos e manifestantes.

Talvez porque os médicos cubanos já tenham atendido mais de 60 milhões de pessoas. Sinal de que 60 milhões de pessoas não eram atendidas.

Ou mal tinham atendimento, como agora confessa o ministro da Saúde, a Saúde pública.

Revelador o silêncio em relação aos médicos cubanos. Certos silêncios revelam, assim como barulhos de ocasião.

Na quarta-feira, 12, com a condenação de Lula, foguetório nos chamados "bairros nobres" de São Paulo. Panelas voltaram a retinir.

Na quinta, só um dia depois, Temer e seus 40 tiveram vitória na Câmara: rejeitada denúncia contra ele, Temer. Que para vencer trocou 12 deputados na CCJ. E não apenas...

Em dois meses Temer liberou R$ 1 bilhão para emendas de deputados e senadores. E o que se viu e ouviu no dia em que os 40 de Temer rejeitaram a primeira das denúncias?

Nada. Nem uma manifestação de massa. Nem mesmo duas colheres de chá num batuque. São Paulo e Brasil afora um silêncio estrondoso.

Silêncio profundamente revelador. Da hipocrisia que embalou e embala discursos sobre corrupção no Brasil.

Revelador do moralismo caolho, aquele que só enxerga e grita quando a corrupção é a dos adversários.

Barulho se ouviu foi em Curitiba. Ricardo Barros fingiu não ser o ministro da Saúde de Temer.

Fingiu não ser o ministro de um país com filas em hospitais e postos de saúde, e país com 14 milhões de desempregados.

Filha do ministro, a deputada estadual Maria Victória (PP), casou-se no sábado. A mãe, Cida Borghetti, é vice-governadora e pré-candidata ao governo.

Festança para 1.200 convidados...Entre a igreja do Rosário e a recepção, no Palácio Garibaldi, protestos. Com chuva de ovos, garrafas, pedras, cuspe, lixo... e Polícia.

O Tribunal da Globo funciona como um espetáculo de ilusionismo. O mágico usa uma série de truques para distrair a plateia

Tribunal da Globo condena Lula pela segunda vez

Por Ricardo Amaral - Via GGN - 17/07/2017

A matéria do Fantástico (16/07) sobre a sentença do juiz Sergio Moro confirma a sórdida aliança entre a Rede Globo e a Operação Lava Jato para atacar o ex-presidente Lula. Em 13 minutos de massacre midiático, a Globo tentou empurrar ao público uma grande mentira: a de que a sentença teria sido baseada em provas, não apenas em teses dos procuradores e convicções do juiz.

O esforço de propaganda não muda a realidade: Lula foi condenado sem provas. A defesa demonstrou que o tríplex do Guarujá sempre pertenceu à OAS e tem seus direitos econômicos alienados a um fundo gerido pela Caixa. E a acusação não provou qualquer relação entre Lula e os desvios da Petrobrás, algo ignorado tanto pela sentença quanto pelo Fantástico.

Mas a Lei de Moro baseia-se fundamentalmente em condenar por meio das manchetes, não do Direito. A Globo sabe que a sentença é frágil e não deve prosperar em instâncias mais sérias do Judiciário; a não ser que seja amparada por uma forte campanha de mídia. Por isso armou seu próprio Tribunal, que absolve Moro de seus muitos erros e condena Lula sem apelação.

O Tribunal da Globo funciona como um espetáculo de ilusionismo. O mágico usa uma série de truques para distrair a plateia (cortinas de fumaça, jogos de luz, dançarinas, tambores) e, ao final, o que não era passa a existir no palco, pois as mãos do mágico são mais rápidas que os olhos da plateia.

No Fantástico, o truque do mágico é distrair o público lançando ao palco o contrato regular com a cooperativa que iniciou o projeto (não com a OAS), um papel rasurado (por quem?) e sem assinatura, um par de notas fiscais da loja de móveis, as falas de 2 réus que contradizem 73 testemunhas; é ocultar a defesa de Lula para encerrar o número com seu veredito ilusório.

A matéria não mostra nada que prove, de fato, que o apartamento foi dado a Lula ou que ele tenha recebido qualquer vantagem, em dinheiro ou de outra forma. Nada que o relacione aos desvios da Petrobrás. Mas na falta de material substantivo, o Tribunal da Globo emprega adjetivos para sentenciar que há provas “documentais, periciais e testemunhais”.

O Fantástico valeu-se, mais uma vez, dos recursos narrativos, visuais e dramáticos que caracterizam o jornalismo de guerra da Globo. A palavra dos repórteres e apresentadores (só aparentemente neutra) é reforçada pela reprodução de trechos da sentença, de modo a aumentar artificialmente sua credibilidade.

A narrativa contra Lula é sobreposta por imagens da fachada do prédio, fotos internas do apartamento, cenas de prisão e de depoimentos, imagens fora de contexto do próprio Lula e de dona Mariza. São cenas da vida real utilizadas para embalar o enredo de ficção que se quer transmitir ao público.

Dois “especialistas” são chamados a interpretar unilateralmente a sentença, poupando repórteres e locutores do serviço mais sujo. Ganharam seu minutos de glória e garantiram vaga na longa lista de comentaristas amestrados da imprensa. A Globo, naturalmente, não mostrou “especialistas” que pensam diferente de Moro.

A fala do advogado de Lula, encaixada ao final da matéria e sem direito a recursos cênicos, torna-se mera formalidade após dez minutos de convencimento do público por meio de “provas”, imagens e falas dos “especialistas”. Na Globo, o jornalismo de guerra dá-se ao requinte de registrar o “outro lado”, mas só depois que a vitória parece assegurada.

O Tribunal da Globo condenou Lula pela segunda vez, ignorando as provas de sua inocência e antecipando o que espera ser a decisão dos tribunais superiores. O truque do Fantástico será repetido mil vezes, até que a mentira se pareça com uma verdade, completando o ciclo midiático-judicial da Lei de Moro.

A intenção da Globo é convencer o público de que Lula está fora do jogo eleitoral, sem aguardar o pronunciamento das instâncias superiores. Esperam colher o resultado nas próximas pesquisas. Mas mesmo que elas apontem perda de intenção de voto, Lula permanece vivo e representa o mais forte sentimento das ruas: o desejo de mudança, para que o país volte a crescer e gerar empregos.

Por isso, em outra frente, editoriais e colunistas da Globo pressionam o Judiciário a acelerar o processo e antecipar o desfecho da longa caçada ao ex-presidente Lula. Afinal, quem pode prever como estarão o país e as pesquisas daqui a um ano? Qual o nome, qual o projeto que os golpistas terão para apresentar até lá? Não tenho dúvidas: o Tribunal da Globo continuará em sessão até conseguir tirar Lula das eleições, ou até ser derrotado pelo voto popular.

sábado, 15 de julho de 2017

Falta mais o quê para o STF mandar prender todos os deputados que receberam e anular este golpe?

Falta mais o quê para o STF mandar prender todos os deputados que receberam e anular este golpe?

Por Fernando Horta - Via Facebook - 15/07/2017


Então já sabemos que não houve crime de responsabilidade, nem nas pedaladas (http://g1.globo.com/…/pericia-conclui-que-dilma-nao-partici…), nem no plano Safra (https://oglobo.globo.com/…/pedalada-de-dilma-no-plano-safra…).

Sabemos que o Nardes do TCU é corrupto até o talo (http://www1.folha.uol.com.br/…/1854127-ex-diretor-de-estata…)

Sabemos que o Temer confessou que o impeachment foi por não aceitar a tal "Ponte para o futuro" (https://theintercept.com/…/michel-temer-diz-que-impeachmen…/)

Sabemos que o Jucá confessou que era para "estancar a sangria" (http://www1.folha.uol.com.br/…/1774018-em-dialogos-gravados…)

Sabemos que o Odebrecht pagou deputados para o impeachment (https://oglobo.globo.com/…/marcelo-odebrecht-diz-que-acerto…)

Sabemos que o Joesley também pagou deputados para votarem pelo impeachment (http://politica.estadao.com.br/…/geral,publicitario-liga-jo…)

Sabemos que o Cunha se elegeu comprando deputados (http://g1.globo.com/…/joesley-diz-que-deu-r-30-milhoes-para…)

E que Cunha travou o governo Dilma para fazê-la cair (http://www.bbc.com/…/noticias/2016/05/151008_cunha_camara_ab)

E que agora Cunha está delatando todos os deputados que receberam dinheiro para votar pelo impeachment (http://www.ocafezinho.com/…/cunha-delata-o-golpe-votos-pel…/)

E que Dilma foi inocentada pelo TSE (http://www.correiobraziliense.com.br/…/como-votou-cada-mini…)

Falta mais o quê para o STF mandar prender todos os deputados que receberam e anular este golpe?

Falta alguém perder a calma e a civilidade? é isto que o tribunal está esperando ... que se faça algo fora da normalidade?

quinta-feira, 13 de julho de 2017

As pessoas deveriam ao menos pensar, colocar o ódio de lado e perguntar: a quem interessa tirar Lula das eleições de 2018?

Nem o paneleiro sendo estuprado em seus direitos, o midiota entende.

Por Cristiano Penha - via Facebook - 13/07/2017

Charge Jota Camelo

Paneleiros comemorando a queda do governo do PT que foi o que mais deu verbas e autonomia aos órgãos de investigação, como a PF, MPF, CGU e AGU, que hoje sofrem cortes de verbas e perda de autonomia, sem falar nos enormes avanços sociais e econômicos dos quais todos se beneficiaram, mas que tentam esconder ou distorcer como se fosse possível apagar a história da memória de milhões de brasileiros.

Não passam de massa de manobra da elite brasileira. 

Mas agem como se fossem mega empresários, banqueiros e corruptos, os únicos a ganhar com tudo isso e com essas reformas. 

Além de tudo, muitos sofrerão as consequências do governo golpista com essa reforma trabalhista, previdência e teto de gastos, até mesmo empresários com a perda de demanda. 

Se não sofrerem diretamente no bolso, talvez sintam na pele, literalmente, o aumento da violência causado por ausência de políticas sociais e de igualdade de oportunidades, como já ocorre aqui e em qualquer país do mundo que apresente elevada desigualdade, mesmo em países avançados.

Alguns pensam que se o PIB crescer, tudo melhora. 

Engano, pois o PIB pode avançar, mas para uma pequena parcela da população como sempre foi até 2002. 

As pessoas deveriam ao menos pensar, colocar o ódio de lado e perguntar: a quem interessa tirar Lula das eleições de 2018? A quem interessou o golpe? Nem o paneleiro sendo estuprado em seus direitos, o midiota entende. 

Se o problema fosse corrupção, hoje as ruas estariam cheias de paneleiros protestando contra Temer, Aécio e essa lista de políticos com patrimônios suspeitos muito superiores ao tríplex. 

Mas acho que é demais pedir pra essas pessoas pensarem, após se intoxicarem com o veneno destilado diariamente pela mídia brasileira na TV, internet, jornais, rádios e revistas. 

Só quando sofrerem no bolso e na pele as consequências do golpe e dessa possível fraude eleitoral em 2018, é que talvez entendam. 

Talvez! Por que o estrago no cérebro pode ter sido permanente e mesmo se ferrando, podem gostar e pedir mais, tipo votando no PSDB ou em Bolsonaro, o que eu não duvido.